Ultimas Notícias

Os nossos times não sabem mais como atacar

Montar equipes com forte sistema defensivo virou obsessão e parte ofensiva foi deixada de lado




Jogando em casa, Grêmio e Flamengo conseguiram importantes vitórias durante a semana. O time gaúcho bateu o Lanús (1 a 0) e abriu caminho para conquistar pela terceira vez a Copa Libertadores. Já o Flamengo, em apenas seis minutos, conseguiu uma virada sobre o Junior Barranquilla (vitória por 2 a 1) e tem vantagem para conquistar uma vaga na final da Copa Sul-Americana.
É preciso elogiar o empenho das duas equipes brasileiras, que não desistiram, tiveram muita vontade para buscar o triunfo – sem esquecer os problemas de arbitragem, principalmente no jogo do Grêmio – mas não podemos negar que ambos tiveram muitos problemas para criar jogadas ofensivas.
Os três gols dos nossos times nessas partidas importantes aconteceram em jogadas que começaram em cruzamentos para área – o primeiro gol do Flamengo surgiu em uma cobrança de escanteio. Com bola rolando, os dois times criaram poucas chances.
Aliás, esse problema de criação de jogadas não acontece apenas com Grêmio e Flamengo. Todos os nossos times sofrem com isso. Basta ver a dificuldade que os nossos times têm nos jogos contra rivais da América do Sul e aqui no nosso campeonato também, onde os clubes com mais posse de bola não conseguem penetrar na defesa do adversário e acabam perdendo em lances de contra-ataques.
Por muito tempo, foi tido que o problema do nosso futebol era a defesa. Montar equipes com forte sistema defensivo virou obsessão. O famoso “fechar a casinha” passou a ser tratado como mantra e começou a ser usada a expressão “nó tático” quando um treinador conseguia armar uma equipe que não deixasse o adversário jogar.
Até hoje, as análises táticas são baseadas no sistema defensivo, no posicionamento das linhas defensivas, na compactação no momento que o time está sem a bola e na importância da participação dos atacantes no sistema defensivo.
Com certeza, um time precisa saber se defender, mas a preocupação em não tomar gols, faz com que nossas equipes não saibam mais como atacar. Atualmente, os nossos times só sabem jogar em contra-ataques. E sem muitas dificuldades, qualquer time com o mínimo de organização consegue segurar as nossas equipes.
As vitórias dos nossos times, como eu já disse no começo do texto, surgem, cada vez mais, em cruzamentos para área. É preciso resgatar a capacidade que sempre tivemos de atacarHoje, por exemplo, são poucos os jogadores que tentam uma jogada individual no campo de ataque, preferem um passe lateral, que é mais seguro. Poucos arriscam um passe e/ou lançamento em profundidade. Faltam triangulações pelos lados do campo, tabelas e maior movimentação dos homens de ataque. Há também falta de velocidade nos passes. Os nossos times tocam a bola, mas não evoluem. Uma equipe troca dez, 15 passes, mas não sai do lugar.
Hoje, os times usam homens pelos lados do campo, só que eles ficam fixos no seu setor e são fáceis de marcar. Não há tantos deslocamentos dos jogadores para confundir a defesa adversária durante a partida. E também não há inversões – as chamadas viradas de bola – para fazer com que as linhas defensivas do adversário se movimentem e percam sua organização.
Um time de futebol precisa ter equilíbrio. Agora, que quase aprendemos como se defender bem, precisamos retomar o gosto pelo o ataque e reaprender como chegar ao gol do adversário sem ficar dando apenas chutões para a área do adversário.


Mais pitacos: @humbertoperon

Tecnologia do Blogger.