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5 mulheres são agredidas a cada hora em Mato Grosso



Número de mulheres vítimas de violência em Mato Grosso continua a crescer e a cada hora, em média, 5 mulheres sofrem algum tipo de agressão no Estado e denunciam. Dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) apontam que no 1º semestre desse ano foram registrados 22.246 ocorrências de violência contra mulheres em todo Mato Grosso. O número é representa um aumento de 12,5% quando comparado ao mesmo período de 2016.
Os maiores registros no Estado envolvem crimes de assédio sexual com aumento de 56,9%, injúria e preconceito com avanço de 31,2% e difamação com 29,5% de crescimento. Na Grande Cuiabá o aumento do número da violência praticada contra mulheres chega a 13,8% no semestre. Apesar do aumento da violência durante os 6 primeiros meses desse ano em Mato Grosso, houve também uma queda de 22% no número de homicídios contra as mulheres. Segundo dados da Sesp, 35 mulheres foram assassinadas no Estado durante o semestre, contra 45 vítimas no mesmo período de 2016.
No Estado o crime com maior número de registros foi o de ameaça. Quase 10 mil mulheres mato-grossenses foram ameaçadas nesse 1º semestre. Na Capital esse tipo de crime vitimou, em média, 12 mulheres por dia, e somou um total de 2.257 crimes dessa natureza. Em Várzea Grande foram 1.095 registros no semestre. Apesar de ter sido o crime mais registrado, o crime de maior crescimento contra mulheres em Mato Grosso, segundo os dados da Sesp, foi o de assédio sexual.
Durante os 6 meses foram registrados 91 ocorrências, aumento de 56,9% em relação os registros do ano anterior. Conforme autoridades da área, nesse universo de violência contra a mulher a maioria dos agressores tem vínculo afetivo e familiar com as vítimas e se enquadra na Lei 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, que completou 11 anos esse mês. Não há um perfil específico para o agressor e nem mesmo para as vítimas, mas a maioria tem em comum a dependência financeira do agressor, o que muitas vezes se torna o empecilho para as mesmas realizaram as denúncias.
A defensora pública e presidente do Núcleo de Defesa da Mulher, Rosana Leite explica que os dados são assustadores quanto ao fato desse tipo de violência ainda estar muito presente na nossa sociedade e os números serem subnotificados.
Segundo Rosana os registros são ainda maiores do que os que são denunciados, porém ela explica que o crescimento precisa também ser visto como positivo quando se leva em consideração que as vítimas têm feito denúncias. “Esse aumento já era esperado com o advento da Lei Maria da Penha, mas ainda não há como saber se houve um aumento na violência contra a mulher, ou se as mulheres passaram a acreditar na eficiência da LMP”. O que é de fato real, segundo a defensora, é a diminuição em 10% do número de Feminicidio nos lares brasileiros desde a entrada em vigor da LMP.
“Uma pesquisa do Ipea apontou também que a LMP é uma das mais divulgadas do Brasil, que 98% da sociedade brasileira conhece, ou já ouviu falar dela”.
Cuiabá e VG
Seguindo a tendência já esperada pelas autoridades, nas duas cidades os crimes contra mulheres também apresentaram crescimento. Em Cuiabá os registros de violência cresceram 8,37%, enquanto que em Várzea Grande o aumento chegou a 28,5%. Os crimes que tiveram o maior avanço percentual foram os de assédio sexual com crescimento de 163,6% em Cuiabá e 133,3% em Várzea Grande.
Na capital o número de estupros também aumentou 94,1%, passando de 17 casos no ano passado para 33 esse ano. Os crimes de ato obsceno também aumentaram 60% no município. Já os crimes, tentativa de estupro, tortura e de sequestro e cárcere privado, apresentaram as maiores reduções 36,8%, 33,3% e 32,5%, respectivamente.
Em Várzea Grande o crime com maior aumento foi o de sequestro e cárcere privado, 300%. As maiores quedas foram em homicídio doloso, maus-tratos e homicídio tentado. Para o delegado Cláudio Álvares Santana, da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, da Criança e do Idoso de Várzea Grande, o aumento registrado no município vem de encontro com o aumento das denúncias que estão sendo feitas. 
“Nossa equipe percebeu que as vítimas tem procurado denunciar, estão mais confiantes no papel desempenhado pela polícia, assim como pela justiça na punição dos agressores”.
Conforme ele, as melhorias que o Estado vem realizando na área de assistência às vítimas também tem tido um papel importante no aumento das denúncias e na sensação de segurança proporcionada para as vítimas. O delegado lembrou que em VG foram feitos investimentos que proporcionaram o novo prédio da delegacia que vai garantir uma maior agilidade e também melhor conforto no atendimento às vítimas. Em Cuiabá também foi criado o Núcleo de Atendimento a Violência Sexual que está em funcionamento desde o mês de março.

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